A Noite dos Museus de Porto Alegre transforma o Centro Histórico em um organismo em movimento: cultura, filas, encontros e algumas dificuldades de deslocamento fazem parte da experiência.
O evento é o que você imagina: bonito, divertido, encantador e até emocionante. O fluxo de pessoas inicia bem antes da noite em si começar. Lá pelas 17 horas já é possível começar a visitar alguns lugares. Eu aconselharia aproveitar para ir cedo e evitar os muitos congestionamentos na região. A partir das 19 horas a coisa começa a ficar lotada mesmo, mas não de uma maneira desorganizada. Existem as atrações mais disputadas, com longas filas de espera. Mas outras são bem tranquilas e não menos interessantes de visitar. Vale a pena pesquisar e fazer um pequeno mapa pessoal para não ficar perdido. Evita desperdiçar tempo.
Mas vamos à corrida! Em 2025, o evento ganhou um novo tempero para agitar ainda mais: a Corrida “Noite Run”, nas modalidades de 4 e 8 km. Essa corrida de rua levou corredores a percorrer caminhos do Centro Histórico Porto Alegrense em meio a um espetáculo de cores e luzes. A experiência, acredite, transformou minha visão dessa parte da cidade que eu achava que conhecia tão bem.
Eu corri os 4 km desta primeira edição sem saber muito bem o que esperar. Ela foi, também, a minha festa de aniversário (foi um dia depois que aniversariei). Eu simplesmente fui fisgada pela animação de todo o caos organizado, e essa foi a origem deste texto.
A entrega do Kit da Corrida
A entrega dos kits foi feita no Mercado Público de Porto Alegre na sexta-feira e no sábado, dia da corrida, e já foi uma bela desculpa para voltar a circular por esse espaço que eu não entrava há anos.

Eu estava preocupada se precisaria chegar muito mais cedo, se faltaria a camiseta do meu tamanho. Tudo correu bem. E por ser um ponto tão famoso na capital, mesmo para turistas não haveria maiores problemas para achar o local de retirada.
Já aproveitei e comprei umas coisinhas para levar para o hotel. Não houve qualquer tipo de problema, consegui a camiseta do tamanho que eu queria, nada de fila longa, pessoal super simpático fazendo a distribuição. Então, ponto positivo para a organização da prova.
Hora de correr: como foi a experiência da prova
A hora da largada foi às 20h, perfeito porque houve tempo suficiente para visitar algumas exposições em pontos menos concorridos.
A concentração foi no Centro Histórico, ao lado do Mercado Público, o qual ficou estupendo todo iluminado. Mas foi justamente aí que houve um pequeno problema: eram muitos corredores, muitos mesmo. Corro há anos e nunca participei de uma corrida com tanta gente.
Eram tantos corredores que não couberam na baia de espera antes do ponto de partida, tivemos que desviar e ficar na calçada. Outro ponto contra foi que os dois primeiros quilômetros do trajeto eram muito estreitos. Isso atrasou os corredores mais rápidos (nem estou falando dos atletas da elite, mas de quem, assim como eu, corre num ritmo possível e precisa de espaço para isso), além de ser perigoso bater em alguém que resolveu caminhar um minuto depois de começar a correr, se machucar tentando desviar e ultrapassar. Isso, confesso, me irritou um pouco.
Apesar desses dois problemas, a noite sustentou o encanto. Eu nunca imaginei que teria a oportunidade de correr pelas ruas do Centro de Porto Alegre à noite.

O ponto do trajeto que mais me impactou foi quando dobrei da Avenida Sete de Setembro para a Praça Padre Thomé e dei de cara com a Basílica Nossa Senhora das Dores, imponente e toda iluminada no alto da escadaria. Sem dúvidas, foi a corrida noturna mais linda em que participei.
A sensação, ao longo de toda a noite, foi de organização e segurança. Posso afirmar que foi um evento festivo e alegre que vale a pena prestigiar, ainda mais se for um entusiasta da corrida noturna.
Claro que houve disputa entre os atletas de elite. Mas o clima foi mais de experiência do que de performance. Havia gente de todos os tipos e idades correndo, corredores com experiência e pessoas iniciando. A prova é festiva, não uma competição. Uma corrida noturna em que ninguém se sente deslocado em maior aquele mar de pessoas felizes.
Provavelmente não correrei esta prova novamente, pois quero fazer visitas numa próxima edição desse evento e viver a cidade de outra maneira. Mas foi, sem dúvida, uma experiência positiva e divertida.
Hospedagem também é experiência
Onde se hospedar também é uma parte importante de como viver essa noite especial. Dormir bem antes e depois de uma corrida, sem precisar se preocupar em pegar carro, táxi, etc facilita muito. Por isso, vou trazer uma sugestão de hospedagem bem localizada, com preço justo e confortável.
Escolhemos para hospedagem estar em meio a todo foco da ação. Evitamos estresse com estacionamento, Uber, táxi: optamos pelo Hotel Praça da Matriz.
Eu gosto bastante desse hotel. Ele foi, originalmente, construído em 1927 como palacete para a família de um empresário da noite de Porto Alegre. Só pela beleza do prédio já vale a estadia.
Ele está localizado de frente para o Palácio da Justiça. Basta atravessar a rua e está na Praça da Matriz, cercada pela Igreja Matriz de Porto Alegre, pelos três poderes, Biblioteca Pública do Estado. Se descer a General Câmara, desemboca na rua da Praia, Pertinho da Casa de Cultura Mário Quintana.

Esse hotel é para quem ama prédios históricos e quer viver a experiência do Centro Histórico a pé. Para prestigiar a Noite dos Museus ele é perfeito!
O hotel não conta com estacionamento coberto, tem poucas vagas próprias na rua. Porém, conta com uma parceria com uma garagem de estacionamento bem próxima.
O café da manhã é bem servido, servido no que antes era o pátio interno do palacete.
Sugiro pedir os quartos com sacada, que são as suítes de frente para a rua. São meus favoritos e os mais bonitos.
E afinal: valeu a pena correr a primeira Noite Run da Noite dos Museus?
Tudo contribuiu para viver, de verdade, a cultura e história da minha cidade natal. Esse texto não é um guia, é um registro do que ficou no corpo e na mente depois daquela noite de novembro.
Então, sim, valeu a pena ter no histórico a participação da primeira edição da Noite Run.
Eu provavelmente não correrei a prova de novo, quero viver a cidade de outra maneira na próxima vez. Outras provas em outros lugares estão no meu radar.
Me chamo Olenka Müller, escrevo no Céus Antigos sobre o que acontece quando o corpo encontra a corrida, o tempo e a noite.

