Corridas noturnas na Serra Gaúcha: o prazer silencioso das passadas sob as estrelas

Desde criança eu tenho um fascínio pelo céu noturno. Aliás, meu momento favorito do dia inicia um pouco antes do pôr do sol e se estende para a noite. Cresci num tempo em que dava pra brincar na rua de noite tranquilamente, acho que isso contribuiu.

Caminhadas  já eram um hábito ainda na adolescência como forma de exercícios e ir a pé para a escola também. Já as corridas noturnas não são uma presença antiga na minha vida. Eu até hoje fico surpresa de que eu tenha começado a correr.  

Entrei no mundo da corrida com cerca de 32 anos, justo quando descobri uma intolerância alimentar que causava excesso de muco, inflamação e obstrução das vias aéreas.

Mesmo quase colocando os pulmões pra fora no começo, fui aumentando as distâncias e viciando na sensação de amor/ódio que uma boa corrida é capaz de proporcionar.

Dizem que cada pessoa tem seu horário ideal de exercícios. Assim, foi praticamente automático ligar meu horário favorito do dia ao meu novo esporte favorito. Até nas noites mais brandas de inverno eu gosto de correr  – meu amor pelo esporte não chega a tanto.

Corridas noturnas são meu vício: silêncio, estrelas pouca ou nenhuma pessoa (pelo menos onde eu procuro correr, perto da minha casa) e muito céu aberto para observar Corridas noturnas na Serra Gaúcha – silêncio, estrelas e, agora, Stellarium (já falo sobre ele).

Agora vem a pergunta:

Onde, exatamente, entrou essa história de observar céu e misturar com corridas, etc?

Das Noites de Corrida às Constelações Ancestrais: Aprendendo sobre o Céu com o Stellarium

Em uma das minhas corridas noturnas com meu fone de ouvido e o céu estrelado como companhia, veio um daqueles pensamentos aleatórios que temos quando deixamos o excesso de pensamentos vir à tona enquanto corremos. 

Surge outra paixão que carrego desde criança: história. Sim! 

História e arqueologia eram um sonho de infância, mas quis a vida que eu não fosse uma profissional nessas áreas. Mas está tudo certo. Dizer que é autodidata nas áreas me faz uma nerd feliz (risos).

Enfim, sempre quis saber:

Como as pessoas conseguiram identificar as constelações?  Como foi que começaram a dar nomes, a reconhecer e, principalmente: Como foi que usaram para se guiar?

Eu sempre achei isso tudo fascinante. Eu nunca aprendi a identificar constelações. Eu olhava para cima e parecia um emaranhado de luzes piscantes e fixas, algumas móveis… e bem confuso para mim.

Enquanto eu ia dando voltas ao redor da pista de corrida ao som da minha trilha favorita, fiquei imaginando como seria saber identificar todas essas formações. Gosto de olhar para o céu noturno enquanto corro. Como seria fazer isso há 100, 200, 500 anos?

A paisagem muda constantemente, cidades crescem. Saber guiar-se pelas estrelas seria o mais seguro para circular por territórios, voltar para casa, ir para outros lugares. Eu sequer sei quais constelações eu enxergo do meu quintal!!!

Quem estava aqui antes de nós?

Moro na Serra Gaúcha. Pesquisei rapidamente para saber quem estava por aqui há milênios.

Assim, descobri alguns trabalhos arqueológicos sobre os antigos habitantes da região da Serra Gaúcha que apontam para presença indígena de até milhares de anos: Kaingang, Xokleng e Guarani foram os povos que prevaleceram nesta região.

Essas populações indígenas usavam das constelações como relógio sazonal, bússola natural e “mapa vivo”: mitos e movimento dos astros guiavam caça, plantio e vida comunitária das tribos.

Eu também tenho de ser capaz de aprender isso!

Conheci o Stellarium!

A primeira coisa que fiz foi baixar um aplicativo para identificar constelações. Ele se chama Stellarium, disponível tanto para iPhone quanto para Android.

Como sou iniciante, a versão gratuita desse aplicativo serve muito bem nessa fase de aprendizagem.

O Stellarium é muito fácil de usar: ao apontar a câmera do celular para o céu, ele mostra exatamente quais constelações e objetos estelares estão na sua localização. 

Ele mostra o desenho da constelação junto, facilitando para gravar cada uma delas. Objetos em movimento também são identificados: satélites, estações espaciais… acredite, é muito divertido.

Como seria o céu de 500 anos atrás? Com o Stellarium é possível “viajar no tempo”: ele tem uma funcionalidade em que é possível ajustar a data para saber como estava o céu conforme a data que você colocar.

*Céu de 6 nov 1500, 21:54 – Garibaldi/RS. O mesmo que os Kaingang viam.*

Podemos ter uma breve noção de como foi olhar para nosso céu, no mesmo lugar em que estivemos, há muitos séculos atrás.

Eu estou embarcando nesta jornada de aprendizado. Tenho várias paisagens noturnas para estudar.

E você? Corrida noturna essa semana? Me conta qual constelação você viu! Manda pra mim nos comentários ou no contato@ceusantigos.com

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